a poesia está em toda esquina.
mas você está sempre com pressa.
Friday
Posted by educoffee at 9:09 pm 0 comments
Thursday
sim, é tudo autobiográfico.
porque escrevo as pessoas que quero ser.
é na escrita que eu conserto a realidade.
Posted by educoffee at 5:25 pm 2 comments
- vamos? tão bêbado que estou, eu nunca lembraria.
- não. tão apaixonado que sou, eu nunca esqueceria.
Posted by educoffee at 7:09 am 0 comments
Wednesday
Tuesday
diálogo
para luiz arthur nunes
a: você é meu companheiro.
b: hein?
a: você é meu companheiro, eu disse.
b: o quê?
a: eu disse que você é meu companheiro.
b: o que é que você quer dizer com isso?
a: eu quero dizer que você é meu companheiro. Só isso.
b: tem alguma coisa atrás, eu sinto.
a: não. não tem nada. deixa de ser paranóico.
b: não é disso que estou falando.
a: você está falando do quê, então?
b: eu estou falando disso que você falou agora.
a: ah, sei. que eu sou teu companheiro.
b: não, não foi assim: que eu sou teu companheiro.
a: você também sente?
b: o quê?
a: que você é meu companheiro?
b: não me confunda. tem alguma coisa atrás, eu sei.
a: atrás do companheiro?
b: é.
a: não.
b: você não sente?
a: que você é meu companheiro? sinto, sim. claro que eu sinto. e você, não?
b: não. não é isso. não é assim.
a: você não quer que seja isso assim?
b: não é que eu não queira: é que não é.
a: não me confunda, por favor, não me confunda. no começo era claro.
b: agora não?
a: agora sim. você quer?
b: o quê?
a: ser meu companheiro.
b: ser teu companheiro?
a: é.
b: companheiro?
a: sim.
b: eu não sei. por favor, não me confunda. no começo era claro. tem alguma coisa atrás, você não vê?
a: eu vejo. eu quero.
b: o quê?
a: que você seja meu companheiro.
b: hein?
a: eu quero que você seja meu companheiro, eu disse.
b: o quê?
a: eu disse que eu quero que você seja meu companheiro.
b: você disse?
a: eu disse?
b: não. não foi assim: eu disse.
a: o quê?
b: você é meu companheiro.
a: hein?
(ad infinitum)
morangos mofados, caio fernando abreu
b: hein?
a: você é meu companheiro, eu disse.
b: o quê?
a: eu disse que você é meu companheiro.
b: o que é que você quer dizer com isso?
a: eu quero dizer que você é meu companheiro. Só isso.
b: tem alguma coisa atrás, eu sinto.
a: não. não tem nada. deixa de ser paranóico.
b: não é disso que estou falando.
a: você está falando do quê, então?
b: eu estou falando disso que você falou agora.
a: ah, sei. que eu sou teu companheiro.
b: não, não foi assim: que eu sou teu companheiro.
a: você também sente?
b: o quê?
a: que você é meu companheiro?
b: não me confunda. tem alguma coisa atrás, eu sei.
a: atrás do companheiro?
b: é.
a: não.
b: você não sente?
a: que você é meu companheiro? sinto, sim. claro que eu sinto. e você, não?
b: não. não é isso. não é assim.
a: você não quer que seja isso assim?
b: não é que eu não queira: é que não é.
a: não me confunda, por favor, não me confunda. no começo era claro.
b: agora não?
a: agora sim. você quer?
b: o quê?
a: ser meu companheiro.
b: ser teu companheiro?
a: é.
b: companheiro?
a: sim.
b: eu não sei. por favor, não me confunda. no começo era claro. tem alguma coisa atrás, você não vê?
a: eu vejo. eu quero.
b: o quê?
a: que você seja meu companheiro.
b: hein?
a: eu quero que você seja meu companheiro, eu disse.
b: o quê?
a: eu disse que eu quero que você seja meu companheiro.
b: você disse?
a: eu disse?
b: não. não foi assim: eu disse.
a: o quê?
b: você é meu companheiro.
a: hein?
(ad infinitum)
morangos mofados, caio fernando abreu
Posted by educoffee at 3:39 am 0 comments
Monday
ele ligou da esquina perguntando se eu queria um refrigerante. e eu fui encontrá-lo lá. não queria mais que ele fosse até minha casa. era minha forma silenciosa de dizer que não o queria mais na minha vida.
na sorveteria ali pertinho, escolhi o mais esquisito dos sabores. aquele que em dias normais eu nunca me atreveria. 1 bola apenas. doce de leite com ameixa. uma massa acinzentada com pedaços roxos moles. eu já me sentia bastante indigesto só em ver. mas não queria guardar a lembrança daquele rompimento em um sorvete de chocolate ou creme com flocos.
nossa conversa não fluia. o que me fazia lembrar que era exatamente esse o motivo do rompimento. tínhamos silêncios angustiantes. ele parecia querer ser sempre salvo. e eu mal sabia do quê. nem se eu realmente queria ser o salvador. eu mesmo já ando tão perdido.
o sorvete derretia nos meus dedos. minhas palavras se derretiam no tempo. e ele se mantinha estático. imóvel. indiferente ao que acontecia. sem entender o que eu expressava. metáforas inúteis. ser direto é tão difícil. aquele silêncio chegando aos meus ouvidos tão sofrido.
pedi uma coca-cola. uma tentativa tola de colocar um pouco de gás naquele encontro. e, bem mais rápido que o sorvete, o líquido esquentava. aquela se tornou a lata de coca-cola mais duradoura de todas que já conheci. quisera meu vício que todas fossem como aquela. intermináveis. tão longa quanto aquela (falta de) conversa.
tentei me explicar. ele não conseguiu entender. eu não queria magoá-lo. não era minha intenção. eu não tinha raiva, afinal ele nada havia feito. literalmente. nada.
fui deixá-lo na parada de ônibus. demonstrando que a gente podia continuar se falando, se vendo. vamos manter contato.
ao subir no ônibus, o toque delicado, o beijo discreto, o piscar no olhar.
ele nada havia entendido.
eu teria que fazer tudo de novo.
na sorveteria ali pertinho, escolhi o mais esquisito dos sabores. aquele que em dias normais eu nunca me atreveria. 1 bola apenas. doce de leite com ameixa. uma massa acinzentada com pedaços roxos moles. eu já me sentia bastante indigesto só em ver. mas não queria guardar a lembrança daquele rompimento em um sorvete de chocolate ou creme com flocos.
nossa conversa não fluia. o que me fazia lembrar que era exatamente esse o motivo do rompimento. tínhamos silêncios angustiantes. ele parecia querer ser sempre salvo. e eu mal sabia do quê. nem se eu realmente queria ser o salvador. eu mesmo já ando tão perdido.
o sorvete derretia nos meus dedos. minhas palavras se derretiam no tempo. e ele se mantinha estático. imóvel. indiferente ao que acontecia. sem entender o que eu expressava. metáforas inúteis. ser direto é tão difícil. aquele silêncio chegando aos meus ouvidos tão sofrido.
pedi uma coca-cola. uma tentativa tola de colocar um pouco de gás naquele encontro. e, bem mais rápido que o sorvete, o líquido esquentava. aquela se tornou a lata de coca-cola mais duradoura de todas que já conheci. quisera meu vício que todas fossem como aquela. intermináveis. tão longa quanto aquela (falta de) conversa.
tentei me explicar. ele não conseguiu entender. eu não queria magoá-lo. não era minha intenção. eu não tinha raiva, afinal ele nada havia feito. literalmente. nada.
fui deixá-lo na parada de ônibus. demonstrando que a gente podia continuar se falando, se vendo. vamos manter contato.
ao subir no ônibus, o toque delicado, o beijo discreto, o piscar no olhar.
ele nada havia entendido.
eu teria que fazer tudo de novo.
Posted by educoffee at 1:59 am 2 comments
Subscribe to:
Posts (Atom)